| 7-19-2004 |
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Seria o caso de
mudar para Cabul?
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| Diogo
Mainardi |
"As crianças deficientes do Afeganistão
estão
melhor do que antes. As do Brasil, pior. O governo
Lula as lesou em mais de uma oportunidade"
Liguei para Cabul. Pedi para falar com a fisioterapeuta islandesa Steina Olafsdottir.
Ela dirige a primeira clínica para tratamento de paralisia cerebral
do Afeganistão. Antes da abertura da clínica, em janeiro deste
ano, as crianças com paralisia cerebral não recebiam tratamento
algum. Ficavam jogadas num canto. Agora mudou. Os pais finalmente podem se
dar conta da potencialidade dos filhos. A principal causa de paralisia cerebral
no país são as complicações decorrentes de partos
domésticos. A construção de novas maternidades deve alterar
o quadro. Cerca de 500 crianças com paralisia cerebral já foram
atendidas na clínica, algumas delas vindas de cidades distantes, como
Herat, Kandahar e Jalalabad. O projeto é financiado pela Cruz Vermelha
italiana. Deve durar dois anos. Steina Olafsdottir recrutou um grupo de fisioterapeutas
afegãs, que está recebendo treinamento profissional, para que
as crianças continuem a ser atendidas depois que os estrangeiros forem
embora. As fisioterapeutas afegãs, como todas as outras mulheres do
país, eram impedidas de trabalhar durante o regime dos talibãs.
Steina Olafsdottir chegou a Cabul em outubro do ano passado.
De lá para cá, segundo ela, a cidade se transformou.
Há mais carros nas ruas, mais segurança, mais
dinheiro na mão das pessoas. O Afeganistão
sumiu das primeiras páginas dos jornais, mas está se
ajeitando. As eleições parlamentares tiveram
de ser adiadas para abril do ano que vem. Por outro lado,
as eleições presidenciais estão marcadas
para 9 de outubro. Atentados terroristas ameaçam o
processo democrático. Por outro lado, dois terços
dos eleitores já se registraram para votar. A maior
fonte de renda do país ainda é o contrabando
de ópio. Por outro lado, a economia legal cresceu
20% no último ano. Falta dinheiro para investimentos
em obras essenciais. Por outro lado, os países ricos,
reunidos em Berlim, comprometeram-se a desembolsar 8 bilhões
de dólares. O interior é dominado por milícias
armadas. Por outro lado, Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha
já adestraram milhares de soldados locais. Os talibãs
controlam muitas áreas remotas do país. Por
outro lado, os refugiados começam a retornar.
As crianças deficientes do Afeganistão estão
melhor do que antes. As do Brasil, pior. Lula é deficiente
físico. Perdeu o dedo numa prensa. Conseguiu comprar
um terreno e móveis com a indenização.
Apesar disso, seu governo lesou os deficientes em mais de
uma oportunidade. Lula impediu a destinação
de recursos do Fundef para escolas particulares dedicadas
a alunos deficientes, com o argumento de que era proibido
por lei. Prometeu encontrar uma solução para
o problema, tirando o dinheiro de algum outro lugar. Tirou
mesmo, só que, no meio do caminho, a verba encolheu
cerca de 1,5 bilhão de reais. Cada aluno deficiente
mereceu um total de 33,50 reais anuais. Lula também
suspendeu o pagamento de uma contribuição social
a 15.000 deficientes com renda mensal superior a 65 reais.
Deficientes com renda de 70 reais não só pararam
de receber o benefício, como poderão ser obrigados
a devolver tudo o que ganharam no passado. Claro que ainda
não é o caso de arrumar as malas e mudar para
Cabul. Daqui a alguns anos, possivelmente.
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