| 10-15-2003 |
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Invejosos e individualistas:
assim se vêem os argentinos
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ARIEL
PALACIOS
Correspondente |
Pesquisa indica que eles também
acham justa a fama de esnobes e picaretas
BUENOS AIRES - "O argentino é um indivíduo,
não um cidadão", costumava definir o escritor
Jorge Luis Borges, um dos melhores analistas da intrincada
alma argentina. A frase do autor de O Aleph foi corroborada
por uma pesquisa do Centro de Estudos de Opinião Pública
(Ceop), que indicou que 74,9% dos homens e 71,2% das mulheres
sustentam que seus compatriotas são "individualistas" e
não estão preocupados pelo bem comum.
Além de individualistas, os argentinos seriam "invejosos".
Essa é a opinião de 63,1% dos homens e 59%
das mulheres. Para completar a autocrítica, a pesquisa
afirma que 61,1% dos homens e 54% das mulheres consideram
que é justa a fama de "esnobes, picaretas e irresponsáveis" que
os argentinos possuem no exterior.
Na hora de conversar, o assunto favorito dos homens é "esportes",
segundo 43,3%. Depois de esportes, a caótica política
argentina é o assunto preferido entre 36,9% da população
masculina. A política também desperta entusiasmo
entre 21,7% das argentinas. Mas o assunto a que mais se dedicam é "família",
com 45%. Em matéria de espiritualidade, 76% afirmam
que não vão à missa. A pesquisa, que
fez um profundo raio X dos argentinos indica que 45% das
pessoas deste país estão endividadas.
Em matéria de sexo, como na economia, a situação
dos argentinos é periclitante. Um terço das
mulheres não tem relações sexuais. A
castidade - voluntária ou involuntária - entre
os homens é menor, atingindo 15,3%. Só 11,8%
dos homens e 4% das mulheres mantêm mais de quatro
relações sexuais por semana.
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